O MAIS CONTAGIOSO DOS PECADOS
“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós...”
(Mateus 7:1-2)
Às vezes, nos comportamos como juízes implacáveis. Apesar da proibição do Mestre, temos bastante facilidade em apontar erros, vícios e problemas nos outros. Parece que nossos olhos têm mais sensibilidade para perceber os desajustes impressos na vida de nossos irmãos e irmãs. Muitos fazem isso porque confundem discernimento com julgamento.
Discernimento é quando conseguimos perceber as características das pessoas ao nosso redor, suas qualidades, virtudes ou desvios de caráter e, depois disso, definimos se é interessante ou não nos aproximar para desenvolver um relacionamento. Sem dúvidas, precisamos discernir as pessoas. Porém, julgar vai além disso.
O julgamento acontece quando utilizamos essas informações para dar um veredito, uma palavra final sobre alguém, ou pior, para nos colocar numa posição de superioridade, à semelhança do fariseu na parábola de Lucas 18:11: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens...”
Mas o julgamento raramente para em nossos pensamentos. Ele se espalha. O mais contagioso dos pecados é a fofoca, pois transforma julgamentos em comentários depreciativos e venenosos sobre outras pessoas. O pecado não está apenas na boca de quem fala, mas também nos ouvidos de quem ouve e dá espaço a essa prática. A fofoca destrói reputações, semeia discórdia e cria muros onde deveriam existir pontes. Disfarçada de preocupação ou zelo espiritual, torna-se um instrumento de destruição. Como discípulos de Jesus, devemos cultivar palavras que edifiquem, promovam a reconciliação e reflitam a graça que recebemos.
Existem, ao menos, três problemas sérios quando julgamos os outros.
1. O julgamento nega a possibilidade de mudança.
O primeiro problema é quando achamos que as pessoas não podem mudar ou que a vida de alguém se resume a um ato, uma palavra ou uma ideia. Algo pontual que, muitas vezes, rotula alguém para sempre. Quantas vezes ouvimos expressões do tipo: “Ele é muito grosso”; “Ela é uma mãe irresponsável”; “Aquele outro não tem jeito”?
Declarações como essas, por mais que pareçam verdades, podem ser fruto apenas de um dia de estresse, um momento de cansaço, uma crise familiar que nosso próximo está enfrentando e da qual nada sabemos. Como não temos condições de considerar todas as coisas que envolvem a vida do outro, nem de limitar o poder de transformação das pessoas, o conselho é: não julgue.
2. O julgamento nasce da padronização do comportamento
O segundo problema é que o julgamento nasce da padronização do comportamento. Não somos iguais, precisamos lembrar disso. Temos preferências estéticas, comportamentos e expectativas diferentes. Gostamos de coisas distintas e reagimos aos estímulos de forma diversificada. Um pode ser mais introvertido, o outro extrovertido. Um aprecia a tranquilidade de momentos intimistas, enquanto outro gosta de agito e multidão.
A Igreja é a comunidade dos diferentes que buscam algo em comum. Não podemos padronizar as pessoas e, mais ainda, não podemos nos colocar como o padrão a ser seguido. A autorreferência foi uma das grandes tentações de Adão e Eva. Deus é Senhor sobre todos e, na mesa de Jesus de Nazaré, há espaço para todos.
3. O julgamento cria um ambiente adoecedor
Por fim, o terceiro problema é que o hábito de julgar os outros cria um ambiente adoecedor. Jesus justifica a proibição ao julgamento, dizendo: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”.
Um dos piores lugares para se conviver é onde as pessoas vivem apontando os erros umas das outras. Porque é fato: quem julga os outros será julgado por alguém. Aquele que vive cobrando, será cobrado. Os que são implacáveis, sem misericórdia e rudes contribuirão para construir um ambiente tão hostil que, mais cedo ou mais tarde, receberão exatamente a mesma coisa, da mesma forma.
A Igreja é a comunidade da graça. Nela, todos são bem-vindos, com a liberdade de serem quem são diante de Deus e aceitos por todos. As mudanças que todos precisam passar são fruto do agir do Senhor nas consciências e corações. Na Igreja, Jesus é o padrão a ser seguido e todos os seus membros, cada um com suas dificuldades, se esforçam a cada dia para descansar na graça e nas misericórdias dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Sendo assim, o julgamento não pode fazer parte da vida dos discípulos e discípulas de Jesus de Nazaré. Quem foi alcançado pela graça do Pai cultiva um coração gracioso, acolhedor e encorajador. Que a Igreja seja, de fato, o lugar onde a graça prevalece sobre o julgamento, e onde cada pessoa pode encontrar em Cristo a transformação que precisa.
Pr. Lázaro Sodré
IB Alvorada - Aju, SE
Nenhum comentário:
Postar um comentário